quarta-feira, 23 de julho de 2025

Love of My Life

"Love of My Lifedo album A Night at the Opera, lançado em 1975 pelos Quenn, foi escrito por Freddie Mercury em homenagem a Mary Austin. Uma versão ao vivo, incluída no álbum Live Killers, lançado em 1979, foi desde o seu lançamento, a favorita do público quando os Queen a tocavam nos concertos.

Para a Carla, o amor da minha vida

Love Of My Life (Live At Wembley Stadium / Saturday 12th July 1986 / Remastered 2011)

domingo, 3 de março de 2024

The Sixties

Esta década da nossa infância era a nossa realidade, a janela para o mundo. Via-la com o olhar de baixo, com inocência, curiosidade, alegria mas também tristeza. Era a descoberta! Olho-a agora com o olhar de memórias e recordações nostálgicas da infância, num olhar crítico dum percurso e aprendizagem de vida e de evolução do espírito…

Neste hábito e fascínio pelas séries de época que descobri com o tempo e que reforcei durante a pandemia, a série Mad Men marcou-me particularmente pois retrata os anos 60 duma forma fiel que eu redescobri nas minhas memórias, mas também inovadora como os flashbacks ao passado do personagem e as músicas dos anos 60 do imaginário da infância.

É uma série americana dramática de época, criada por Matthew Weiner, que explora a glamorosa e egocêntrica "Era de Ouro" da publicidade, onde toda a gente vende alguma coisa e nada é o que parece... Mad Men começa na agência de publicidade fictícia Sterling Cooper, na Madison Avenue, em Manhattan, na cosmopolita Nova York, muito diferente da conservadora e rural Penafiel dos anos 60. Mas os preconceitos e a sociedade machista e cínica mas conservadora e de bons costumes de fachada, estão no cerne de ambas.

A séria passou na RTP1 até 2015 e podemos vê-la atualmente na Prime Vídeo, tem sete temporadas e 92 episódios, e passa-se no período de março de 1960 a novembro de 1970, retratando assim toda uma década. O personagem principal é o carismático publicitário Don Draper (interpretado por Jon Hamm), o talentoso diretor criativo da Sterling Cooper. Embora errático e misterioso, ele é considerado um gênio no mundo da publicidade. Algumas das campanhas publicitárias mais famosas da história são consideradas criações dele. Nas temporadas posteriores, Don enfrenta dificuldades enquanto a sua identidade entra num período de declínio, causada por uma introspeção e assunção do seu passado sombrio.

Eis o meu resumo de 45 minutos, com algumas das cenas mais marcantes e algumas das mais extraordinárias músicas dos anos 60 e de Mad Men!…

Mad Men Long Music Trailer

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Girl with a Pearl Earring - Vermeer

Este filme de 2003 passou sem eu dar por ele, vi-o agora. Conta a história ficcionada dos acontecimentos que rodearam a criação da pintura "Girl With a Pearl Earring" do pintor holandês do séc. 17, Johannes Vermeer. O filme recria a vida da rapariga misteriosa do quadro, Griet, interpretada por Scarlett Johansson, empregada doméstica na casa do pintor Vermeer.

A história do filme é cativante, mas a sensação visual que nos transmite a magistral passagem de imagens inspiradas nas pinturas de Vermeer é deslumbrante na beleza das cores e, mais do que tudo, no jogo da luz e das sombras nas personagens e objetos! Mas nesta viagem no tempo a 1665, a luminosidade e beleza da arte de Vermeer parecem superar a realidade…

Trailer de 'Girl with a Pearl Earring'

domingo, 3 de julho de 2022

A qualidade de vida e uma guerra de Valores

Experimentei começar a ir para o trabalho de metro, devido ao preço da gasolina e para dar o meu pequeno contributo para a luta contra aqueles que não respeitam a liberdade e a livre expressão do ser humano. E esta experiência tem sido surpreendente!... A evolução tecnológica leva-nos a pensar, em certas alturas da vida, que qualidade de vida é ir de carro para o emprego, mas as filas de transito, o stress e a busca persistente de uma melhor condição física, levou-me a encontrar outro caminho com melhor qualidade de vida, ao caminhar nestes percursos naturais como o novo Parque da Asprela ou observar a Ribeira e o rio Douro enquanto ouço a TSF ou a Comercial ou leio as notícias no smartphone. Já os Romanos há 2000 anos, deixaram-nos o legado dos ginásios e termas porque tinham esse objetivo da melhoria da qualidade de vida. Somente a escassez de Valores sólidos terá levado à queda dessa civilização brilhante e seguiu-se-lhe uma civilização de trevas do conhecimento e baseada na procura exacerbada dos valores religiosos.

Encontramo-nos numa época decisiva em termos de Princípios e Valores da Humanidade que têm as suas raízes nos mandamentos recebidos por Moisés. Quando pensávamos que no século XXI a democracia e o respeito pela individualidade humana tinham sido conquistas garantidas ao longo da História e, mais recentemente, no século XX das conquistas civilizacionais, em particular da democracia e da Paz. No entanto este século XXI tem-nos revelado estas facetas obscuras, a persistência dos regimes totalitários, mas também fenómenos como o “trumpismo” na América bipolar que tem idênticas facetas noutras partes do mundo, os haters nas redes sociais e na sociedade, com os seus comentários e manifestações de ódio, e o negacionismo por vezes encontrado ao virar da esquina.

O povo ucraniano descobriu que há certas alturas que é preciso sacrificar a Paz para se conquistar a segurança e se preservar a Liberdade de um povo. Do outro lado estão regimes totalitários como a Rússia ou a China que constituem uma larga franja da Humanidade. Xi Jinping afirma no seu cinismo, que os direitos humanos num país não podem ser julgados pelos critérios de outros, como se os direitos humanos fossem Princípios relativos. E que a China dá predominância ao respeito da posição principal do povo e à liderança do Partido, do que ao bem-estar individual e à democracia. Quem pensa e se manifesta de forma diferente, são dissidentes, traidores ao regime legítimo e estão ao serviço do Ocidente! Se tivessem seguido sempre estes dogmas, os Imperadores e o Czar da Rússia ainda estariam no poder, pelo que são conceitos com alicerces de barro que colocam em causa o próprio regime. Visam somente preservar o regime no poder e negam os conceitos fundamentais da democracia e do respeito pelo ser humano. Cada uma e todas as vidas humanas que se oponham são “estatísticas” dispensáveis, como afirmaram outros ditadores tristemente célebres do séc. XX! (continua...)

Music 'Temptation' by New Order

Já Putin e o regime Russo demonstram uma total ausência de Valores e não esperavam que o Ocidente colocasse, em grande media, esses Valores acima do bem estar económico nos próximos anos. Refletem uma total falta de humanidade, de Alma, refletem a faceta negra da humanidade… Estamos num momento de viragem da Humanidade, este pode ser o Nó Górnio no relacionamento das democracias com os regimes totalitários que irão pensar duas vezes no futuro, antes de cometerem crimes de guerra contra outros povos ou o seu próprio povo. Acredito que o regime Russo será ostracizado durante décadas no século XXI ou então se outros regimes se lhes juntarem, teremos no futuro um mundo divido em dois polos, numa guerra de Valores, na constante luta da Luz contra as Trevas!

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Ucrânia – Liberdade – Paz – Democracia


Change, like the wind
Like the water, like skin
Change, like the sky
Like the leaves, like a butterfly

Would you live forever, never die
While everything around passes by?
Would you smile forever, never cry,
While everything you know passes?

Death’s like a door to a place we’ve never been before
Death, like space, the deep sea, a suitcase
Would you stare forever at the sun,
Never watch the moon rising?
Would you walk forever in the light,
To never learn the secret of the quiet night?

Big Thief - Change
Licenciado Youtube (C) Beggars (em nome de 4AD); Sony ATV Publishing, Polaris Hub AB

domingo, 24 de outubro de 2021

Assim como o clima teve influência na evolução da História, o Homem influenciou o clima na terra entre os anos de 1500 e 1600!

Assim como o clima teve influência na evolução da História (in How Climate Made History - SBS 2015 e Como o Clima fez História), as descobertas científicas mais recentes revelam-nos também a influência do Homem sobre o clima num período que seria difícil de imaginar. É extraordinário e era desconhecido até há pouco tempo que o Homem influenciou o clima na terra entre os anos de 1500 e 1600!

Os Portugueses e Espanhóis ao chegarem às Américas levaram as doenças do velho continente (varíola, sarampo...) o que provocou a redução da população indígena em 90%! (in zap.aeiou.pt 06/02/2019) A população de cerca de 60 milhões de pessoas que viviam nas Américas no fim do século XV (cerca de 10% da população total do mundo) diminuiu para apenas 5 ou 6 milhões em cem anos! Este massacre acidental dos povos indígenas das Américas resultou num impacto global no sistema da Terra, impulsionado pelo ser humano. Esta é a conclusão de um estudo da University College London (UCL), no Reino Unido.

O elevado número de mortes levou ao abandono de imensas áreas de terras agrícolas (quase o tamanho do território da França actual) que acabaram por transformar-se em florestas de densa vegetação. Este processo retirou dióxido de carbono (CO) suficiente da atmosfera para provocar o arrefecimento do planeta. Este período de arrefecimento é conhecido por Pequena Era do Gelo nos livros de história, e foi uma época em que as tempestades de neve eram comuns em Portugal, e o Rio Tamisa, em Londres, congelava durante o Inverno, com vários países europeus a viverem períodos de fome.

A queda no CO gerada pelo genocídio foi determinante para o arrefecimento acontecido. Portanto a humanidade provocou nessa altura um fenómeno inverso ao que está a provocar atualmente e iniciado com a Revolução Industrial! Talvez no futuro a ciência permita atuar sobre o planeta de forma a ajudar a reverter o fenómeno do Aquecimento Global!

domingo, 1 de agosto de 2021

O número de negacionistas das vacinas Covid-19 tem tendência a diminuir!

Da forma mais lamentável e trágica o número de negacionistas das vacinas Covid-19 tem tendência a diminuir consideravelmente!...

“Nos últimos seis meses (de 11 de Janeiro a 10 de Julho) morreram 57 pessoas de covid-19 que já tinham vacinação completa, sendo que nenhuma abaixo dos 50 anos com as duas doses da vacina morreu no país neste mesmo período.” (in publico.pt 30/07/2021, artigo de Miguel Dantas, citando dados da DGS sobre Portugal). Tendo em consideração que no mesmo período e segundo dados oficiais morreram 9223 pessoas de COVID-19, isto significa que morreram 0,55% de portugueses completamente vacinados, pelo que o número de não completamente vacinados que morreram são de 99,45%!

Por outro lado “Brytney Cobia, uma médica do Alabama, EUA, publicou” … “um apelo emotivo a todos os que ainda têm dúvidas sobre a vacina contra a covid-19 para que se vacinem, antes que seja demasiado tarde. Tenho admitido no hospital jovens saudáveis com infeções muito graves de covid-19. Uma das últimas coisas que eles fazem antes de serem intubados é implorar pela vacina. Eu seguro-lhes a mão e digo que lamento, mas é tarde demais…" (in TVI24.iol.pt 22/07/2021, no artigo de Redação / MJC)

E de forma irónica “Rick Wiles, apresentador de um programa de direita e anti vacinação contra o coronavírus, foi hospitalizado com covid-19” tendo afirmado que "Muitas pessoas estúpidas serão mortas. Se a vacina acabar com muitas pessoas estúpidas, bem, teremos um mundo melhor." (artigo de sicnoticias.pt de 02/06/2021)

Temos assistido nos media a manifestações em alguns países europeus incluindo Portugal, exigindo liberdade e contra o Certificado Digital. Estas pessoas, penso eu, confundem o direito à liberdade individual que não está em causa e não pode estar acima do bem-estar coletivo que neste caso se poupem milhares de mortos pela COVID. A liberdade e os direitos humanos estão perfeitamente consolidados no 1º Mundo, embora ainda não em África, Ásia e América Latina, e o facto de se manifestarem significa que a têm. Liberdade é um direito e uma conquista que não pode ser confundido com anarquia com vários exemplos históricos nefastos, a Liberdade tem o contraponto dos deveres individuais da vida em sociedade. Essas pessoas devem refletir nos valores e princípios que fundamentam o altruísmo e o bem comum que deve fundamentar a nossa luta por um Mundo melhor!

sábado, 13 de março de 2021

Se doentes de risco e maiores de 80 anos estivessem vacinados, país poderia desconfinar mais à vontade

Segundo Jorge Torgal “Se olharmos para a taxa de morte abaixo dos 80 anos, ela é de 0,1 por mil habitantes. Se vacinarmos aqueles que realmente estão em risco, que são as pessoas com patologias e acima dos 80 anos, não há razão de maior para que o desconfinamento não avance”. “Acima dos 80 anos, a taxa de mortes é de 163 por cada mil habitantes”, contabiliza. Logo, “o plano de vacinação deveria contemplar em primeiro lugar as pessoas de risco e acima dos 80 anos”. E, reforça, “não é isso que está a acontecer”.

O critério seguido no plano de vacinação “não foi o de privilegiar os mais frágeis, mas o peso político de algumas federações, corporações e alguns grupos profissionais”. “Acho bem que se vacinem os profissionais de saúde de primeira linha, mas aceito mal que estejam a ser vacinados colegas meus, independentemente do risco que correm, só pelo facto de serem médicos”, acrescenta Torgal, para quem tais opções, numa altura em que o Governo está a dias de fazer arrancar a vacinação do pessoal docente e não docente das escolas, configuram, num cenário de escassez de vacinas, “um erro e uma desconsideração para quem tem um elevado risco”.

Excerto do artigo do PÚBLICO de 12/03/2021 por Natália Faria

Por vezes há realidades que nos parecem tão evidentes que achamos incrível o porquê das coisas não acontecerem da forma mais racional e de acordo com os valores e princípios universais, neste caso o da vida humana. Neste assunto não sou o único a pensar desta maneira pois há especialistas e comentadores relevantes da sociedade portuguesa que manifestaram esta opinião. Somente quando a UE definiu o objetivo europeu de vacinar 80% dos idosos acima dos 80 anos até final de março, o nosso país assumiu finalmente este objetivo. É lamentável!

domingo, 3 de janeiro de 2021

A Belle Époque em filmes remasterizados 4K

Ao longo do tempo a televisão e o cinema têm apresentado vários filmes dos primórdios do cinema. A Saída dos Operários da Fábrica Lumière 1895 será porventura o primeiro filme da história do cinema, o qual foi produzido e distribuído em 1895 pelos irmãos Lumière. Nos anos mais recentes o Youtube constitui uma ferramenta para pesquisa e visualização deste manancial de filmes antigos a preto e branco e de baixa resolução, sem som, com efeito de velocidade das imagens acima do normal devida ao reduzido número de frames por segundo e com a deterioração das imagens provocada pelo tempo.

Mais recentemente têm sido exploradas novas tecnologias computacionais de melhoria da qualidade de vídeo, pela diminuição da velocidade do vídeo para uma taxa natural de 60 frames por segundo, remasterização de alta qualidade até 4K e melhoria da nitidez do vídeo (ex.: [60 fps] The Flying Train, Germany, 1902), adição de som ambiente de contexto (ex.: Around the world in 1896!) e colorização das imagens com uma tecnologia designada de Neural Networks Footage (ex.: Moscow, Tverskaya Street in 1896). Estes processos são efetuados com algoritmos publicados no Github pela comunidade mundial de Machine Learning que contribui ao tornar esses algoritmos de domínio público.

Estas novas tecnologias começaram por ser utilizadas de forma isolada, mas nos últimos meses têm surgido vídeos que combinam todas estas tecnologias em contribuições em particular de “Nineteenth century videos. Back to life.” e Denis Shiryaev (canais do Youtube).

Estes vídeos remasterizados da Belle Époque são absolutamente extraordinários, enquanto os filmes antigos nos transmitem sensações de algo distante no tempo e no espaço, os novos vídeos remasterizados transmitem uma sensação de enorme proximidade e de quase viagem no tempo! Pois os vídeos têm a qualidade dos atuais que transmitem quase que a realidade, mas as pessoas e a forma de vestirem, os edifícios, os veículos e as paisagens são os da Belle Époque... A seguir os três vídeos que considero mais deslumbrantes!

[4K, 60 fps, color] Kids in Lumiere films. 1896.

Nineteenth century videos. Back to life. - YouTube 
Nota: Toda a qualidade da imagem pode ser desfrutada com a definição máxima de imagem HD em controlos do leitor de vídeo e a opção Ecrâ Inteiro

[4K, 60 fps, color] A Trip Through Paris, France in late 1890s
Colorize - YouTube 


[4k, 60 fps] A Trip Through New York City in 1911
Denis Shiryaev - YouTube 

quinta-feira, 23 de julho de 2020

I'm Your Man (Leonard Cohen)

Na altura do lançamento da música, a Rolling Stone escreveu: "O amor como submissão, um tópico de Cohen consagrado pelo tempo, assume uma simpatia conspiratória "

in David Browne. "Leonard Cohen: I'm Your Man"Rolling Stone


Music video by Leonard Cohen - I'm Your Man - YouTube
(C) SME (em nome de Columbia); Sony ATV Publishing

domingo, 22 de março de 2020

Uma mensagem de solidariedade e esperança!


"Somos ondas do mesmo mar,

folhas da mesma árvore,

flores do mesmo jardim."

in dn.pt 22/03/2020, artigo de Paulo Pena
citando o filósofo grego Séneca





Music video by Nick Cave & The Bad Seeds - Breathless - YouTube 
(C) WMG (em nome de Mute/BMG)

segunda-feira, 25 de junho de 2018

O Jardim do Paraíso


Imagem 1 2009/08 - Google Heart

Passava por aquela quinta muito de vez em quando… e aquelas imagens não me saíam da cabeça. Era uma pequena quinta murada, com um portão senhorial, alto, em ferro, quase sempre fechado e que vedava o acesso de quantos passavam. Logo a seguir à entrada um pequeno lago com nenúfares e, a partir daí, linhas infindáveis de árvores de fruto, pessegueiros, macieiras, pereiras, laranjeiras… todas muito bem tratadas num cenário de imensas cores que prendia a atenção de quem passava e que atiçava a imaginação… Para mim era o Jardim do Paraíso!

De quem era aquele pomar? Quem o tratava? Quando passava por ali, estava sempre fechado, deserto, e admirava-o logo desde que o vislumbrava ao longe a seguir ao Jardim do Sameiro, ao pé do edifício da Escola Industrial de Penafiel (o antigo orfanato feminino), passava em frente ao austero portão e à medida que percorria a estrada que serpenteava por entre as casas e quintas em direção ao vale do rio Cavalum em Milhundos.

Bilhete Postal Ilustrado Parque do Santuário lado sul e orfanato feminino, cerca de 1930 - Biblioteca Municipal de Penafiel

No início dos anos 70, talvez por volta de 1972 no início do verão, teria eu 8 anos. Tive finalmente coragem para o enfrentar, de entrar naquele jardim proibido! Com a minha irmã Fátima, quase dois anos mais velha, juntamos as coragens e combinamos lá entrar, para podermos comer algumas frutas das árvores do jardim…

Aquela tarde começou com a emoção intensa da aventura, de que estávamos a descobrir algo desejado há muito tempo, mas havia também uma dúvida a pesar na consciência!... O portão estava fechado, mas reparamos com alívio que não estava trancado! Transpusemo-lo e fechamos o portão nas nossas costas, o jardim estava conquistado!

O lago dos nenúfares, mais bonito ainda do que parecia visto de fora, era o centro de uma plataforma que encimava todo o pomar, com filas e filas de árvores a perder de vista. Descemos umas pequenas escadas encostadas ao muro e deparamo-nos logo com as primeiras árvores, altas e carregadas de frutos.

Após uma pequena incursão entre as árvores para escolher os frutos mais atraentes e apetecíveis e ainda indecisos de quais escolher, ouvimos um barulho junto ao portão, era o vigilante do pomar! Encostámo-nos ao muro protegidos por uma árvore, com o coração aos pulos e o desespero de estarmos encurralados numa ratoeira!

O Vigilante segurou o portão com a mão, divisou um e outro lado do pomar e após certificar-se que estava tudo bem, saiu e voltou a fechar o portão, o que nos transmitiu uma sensação de enorme alívio…

O espírito de aventura tinha terminado, naquele momento foi só agarrar rapidamente nalguns frutos, metê-los dentro da camisa e voltar para a segurança de casa. No entanto, ao chegarmos ao portão o Vigilante estava uma vintena de metros à frente a falar com o condutor de um veículo de transporte que ladeava a estrada. Como não havia maneira de se irem embora pois a conversa parecia não ter fim, decidimos arriscar, pois o Vigilante estava de costas para o portão do jardim e para o caminho que teríamos de fazer.

Saímos de mansinho e iniciamos o caminho e só então reparamos que estava um miúdo, mais novo do que nós, no lugar de trás do veículo, de pé junto à janela e a presenciar a conversa. O seu olhar saltou ao ver-nos, pois naquele instante percebeu o que tínhamos feito… Olhava ansioso para os dois homens, queria interromper a conversa para contar a sua descoberta. Nós íamos caminhando naquele desespero infindável, o miúdo continuava a tentar interromper a conversa, mas graças a Deus não conseguia…  Olhávamos para trás de vez em quando e fomos ganhando alívio e confiança à medida que nos afastávamos!...

Antes de virarmos a esquina no edifício da Escola Industrial e entrarmos no Jardim do Sameiro, aprendi uma lição que sustentou a construção dos meus valores e princípios para a vida, que o Jardim do Paraíso tinha frutos proibidos! Souberam-nos muito bem os frutos que colhemos, mas as maçãs demasiado verdes provocaram-nos uma dor de barriga que nos serviu de castigo e nos expulsou da ideia lá voltarmos tão cedo!

Uns anos mais tarde aquela pequena quinta foi expropriada e desmantelada. Construíram à frente do lago de nenúfares uma estrada de acesso para a nova escola do Ciclo Preparatório. O lago ainda existe, no entanto está seco há muito tempo… mas os nenúfares e aquele jardim existem algures… quanto mais não seja nas minhas memórias!

Imagem 2 2009/08 - Google Heart

domingo, 24 de junho de 2018

sexta-feira, 30 de março de 2018

A Floresta Autóctone Portuguesa

“A floresta portuguesa é característica de um clima mediterrânico e, em tempos idos, era constituída em larga escala por espécies como o carvalho-alvarinho (Quercus robur), o castanheiro (Castanea sativa), a azinheira (Quercus rotundifolia), o sobreiro (Quercus suber), o medronheiro (Arbutus unedo) e a oliveira (Olea europaea).

Dessas áreas restam manchas florestais e das espécies apenas pequenas zonas ou núcleos. Da zona vegetal primitiva portuguesa resta a mata do Solitário, na Serra da Arrábida.

Em todo o país, ao longo dos tempos, a floresta foi degenerando em matagal (maquis) ou charneca (garrigue), ou então sendo substituída pelo pinheiro-bravo (Pinus pinaster) (30% da floresta) ou pelo eucalipto branco (Eucalyptus globulus) (20% da floresta), que foram propagados em larga escala nos inícios do século XX."
Floresta portuguesa - Wikipédia

Apelo - Aliança pela Floresta Autóctone no seguinte link.

Imagem Google


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Blade Runner: Perigo Iminente | Blade Runner 2049

Blade Runner, o filme de 1982, foi um filme de ficção científica de referência para a nossa geração! Pelo que aguardava com ansiedade e interesse a sequela que vinha sendo anunciada há anos.

O trailer criou-me a expectativa de ver um segundo filme à imagem do primeiro, visualmente atualizado refletindo os 30 anos no futuro do segundo filme, mas Blade Runner 2049 ultrapassou todas as minhas expectativas. A ficção científica traduzida num excelente argumento, que reflete sobre valores e sentimentos de humanos e «replicantes», uma ficção científica espantosa em como perspetiva a inteligência artificial e a realidade virtual de 2049, e a intensidade do filme e da banda sonora!

Uma obra-prima que tem tudo para ser um filme de ficção científica de referência do século XXI.

"...like tiers in rain. Time to die"
Blade Runner: Perigo Iminente. Imagem Google - Ad Lib GIFs









Blade Runner: Perigo Iminente. Imagem Google - The Verge

Blade Runner 2049. Imagem Google - Alcon Entertainment
Blade Runner 2049. Imagem Google - Alcon Entertainment

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Se um dia a História ditar uma Catalunha independente

Se um dia a História ditar uma Catalunha independente na sequência dos acontecimentos recentes, os Catalães não terão razões de orgulho na forma como o processo se desenrolou. Uma maioria pouco significativa no parlamento Catalão a favor da independência, um referendo realizado de forma ilegal onde só terão tido razões para votar os partidários da independência e, em contraste com as queixas de falta de tolerância e respeito democrático do governo central, os partidários pela manutenção na Federação Espanhola não tiveram voz e foram mesmo ostracizados neste processo.

As razões principais para este processo de independência não foram a afirmação da nacionalidade pelas razões históricas, culturais e sociais mas antes as reivindicações económicas da comunidade autónoma mais rica de Espanha, o que demonstra falta de solidariedade para com o resto de Espanha.

O Rei e o primeiro-ministro de Espanha demonstraram uma posição determinada no respeito da constituição e na unidade do país, no respeito da democracia, mas não terem dito uma única palavra contra o uso desproporcionado da força contra os catalães que só queriam votar ou protestavam contra as medidas do governo central, pode por em causa irremediavelmente o comprometimento do povo Catalão para com a Espanha, mesmo os até aqui partidários da manutenção da integração com Espanha.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Como o Clima fez História

A série documental How Climate Made History (SBS 2015) que passou recentemente na RTP3, dá-nos uma perspetiva recente da influência do clima na evolução da História. Desde a década de 1990 a pesquisa científica sobre mudanças climáticas evoluiu bastante, com o resultado da melhora da fidelidade dos modelos computacionais e do trabalho de observação. A pesquisa expandiu a nossa compreensão das relações causais com dados históricos e a capacidade de modelar as mudanças climáticas. Assim como as condições climáticas extremas contribuíram para a extinção dos Neandertais e permitiram ao Homo Sapiens moderno dominar a terra, também as condições climáticas favoráveis permitiram a ascensão de Impérios e promoveram o comércio e a prosperidade enquanto os eventos climáticos adversos geralmente levaram à guerra e a outras catástrofes humanas. Eis alguns exemplos que retive desta série.

O final da Idade do Gelo por volta de 17.000 AC, devido a alterações na órbitra terrestre que tornaram a luz do sol mais forte especialmente no verão, provocou ao longo de alguns milhares de anos o gradual aquecimento do planeta e que o clima ficasse mais ameno. As placas de gelo do Ártico e do Antártico começaram a derreter, a água dos oceanos também aqueceu provocando que a Corrente do Golfo começasse a fluir novamente, a evaporação para a atmosfera aumentou provocando chuvas regulares e aumentando a biodiversidade e criando as condições para as primeiras civilizações. Ao longo deste período o nível do mar subiu 120 metros, reclamando vastas áreas de terra fértil e inundando os deltas dos rios e ao longo das áreas costeiras e mudando assim o mapa mundial. A Bíblia relata estes eventos na narrativa da inundação no Genesis, e existem relatos em muitas sociedades humanas por todo o planeta desta Grande Inundação que ocorreu entre 10.000 e 5.000 AC. Mas houve um lugar que beneficiou destes eventos, a região do Sahara tornou-se verdejante nessa época!

Na altura do nascimento de Jesus Cristo, a radiação solar provavelmente decresceu e a Corrente do Golfo arrefeceu, tornando o clima terrestre muito mais frio. À medida que o clima frio e instável torna as condições de vida mais hostis, as tribos fora do Império Romano começaram a competir pelos recursos escassos, causando o início de uma migração em massa, movimentaram-se para sul e desalojaram outras tribos, provocando dezenas de milhares de refugiados do clima que iam avançando lentamente no Império Romano, avanço esse facilitado pela travessia dos rios gelados. À medida que mais tribos invadem, conquistam e se estabelecem no território romano, acaba por significar o fim do Império Romano do Ocidente em 476 DC.

A atividade solar aumentou consideravelmente por volta do ano 880, provocando o aquecimento da Terra e as estações do ano tornaram-se mais fiáveis. O Atlântico Norte tornou-se navegável a maior parte do ano permitindo o início das invasões dos Vikings por toda a Europa e que lhes permitiu também a exploração da Islândia e da Gronelândia e mais tarde da costa atlântica da América do Norte, 500 anos antes de Cristóvão Colombo. Com o aumento da temperatura as condições para a agricultura tornaram-se as melhores desde há séculos. A agricultura tornou-se intensiva, permitindo o aumento do comércio e o florescimento das cidades que permitiram o estabelecimento de uma nova ordem social constituída por cidadãos livres e comerciantes ricos e um desenvolvimento social na educação, artes e cultura que constituiu a base do mundo moderno.

A partir da segunda metade do séc. XIII ocorreram uma série de atividades vulcânicas em diferentes partes do mundo e em diferentes épocas, no vulcão Somali na Indonésia, Monte Etna na Sicília, vulcão Kuawe em Vanuatu, na fissura Laki na Islândia e finalizando com a erupção do Monte Tambora na Indonésia em 1815 (o ano de 1816 acabou por ser um ano sem verão em todo o planeta). Todas estas erupções lançaram cinzas e dióxido de enxofre na estratosfera, afetando o clima mundial por cerca de 500 anos, a designada Pequena Idade do Gelo, o mais longo período de clima frio desde o fim da Idade do Gelo, ocorrida mais de 10.000 anos antes. O avanço dos glaciares engole aldeias e leva à retirada dos Vikings da Gronelândia. As estações de cultivo tornaram-se bastante mais curtas trazendo a fome para a Europa Ocidental, o frio e a chuva excessivos ajudaram a propagar as pestes, e provocando um efeito profundo na sociedade humana. Teve também influência no clima político na Europa que deu origem à Guerra dos Trinta Anos e ao descontentamento da população que levou à Revolução Francesa que derrubou a Monarquia e abriu as portas à Democracia na Europa!

Finalmente o frio cessou por volta de 1850 e desde então as temperaturas moderadas moldaram o nosso clima. As drásticas mudanças tecnológicas e sociais com a Revolução Industrial trouxeram prosperidade mas também causaram uma alteração climática induzida pela Humanidade, de forma alarmante e sem precedentes. O nosso planeta tem aquecido gradualmente e está a lidar com o Aquecimento Global. Os desastres naturais são os sinais que indicam que estamos naquele ponto em que podemos decidir que tipo de clima pretendemos no futuro. Se as nações conseguirem reduzir as alterações climáticas será sensacional, já que será a primeira vez que em vez do Clima nos controlar a nós, a Humanidade conseguirá controlar o Clima e ter a certeza que teremos um clima estável para as gerações futuras.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

“Uma em cada dez pessoas sobrevive com dois dólares por dia” – este é um mundo desigual, distópico e obsceno

Excerto do Expresso Curto de 17/01/2017 por Pedro Candeias:


"...desigualdade é a palavra que nos leva de volta a este Expresso Curto. E à realidade.

Não à realpolitik, mas à realidade real que afinal é o mundo em que vivemos. Distópico e desigual.

Um estudo da Oxfam publicado a 24 horas do início do Fórum Económico Mundial diz-nos o seguinte: que há oito homens que têm tanto dinheiro como a metade mais pobre do planeta; que daqui a 20 anos 500 pessoas vão passar 2 milhões de biliões de dólares aos seus herdeiros; que os rendimentos dos mais pobres subiram três dólares/ano entre 1998 e 2011 (por comparação, os 1% dos mais ricos viram os seus rendimentos aumentar 182 vezes mais); que o crescimento dos rendimentos dos 50% mais pobres foi zero nas últimas três décadas (enquanto os 1% dos mais ricos cresceram mais de 300%); e que, por exemplo, o homem mais rico do Vietname ganha mais num dia do que o mais pobre em dez anos.

São muitos “ques” para alguns “porques”. Segundo a Oxfam, isto acontece porque as maiores empresas do planeta têm mais receitas do que 180 países todos juntos; e porque os trabalhadores dessas empresas são espremidos a bem dos salários de quem manda.

Ponhamos isto assim: um patrão de uma das maiores companhias de informação da Índia recebe 486 vezes mais do que um seu empregado normal. 

Isto não é normal.

A esta lista acrescem as fugas aos impostos e os paraísos fiscais, e as leis que beneficiam os mais influentes. Sendo que os mais influentes são os mais ricos..."

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Como Rogério Casanova viu Coates a espetar pantufadas em gandulos com intenções malignas

Não perco as crónicas do Rogério Casanova no Expresso sobre a atuação dos jogadores do Sporting após cada jogo. São excelentes, com muita piada e num estilo fora do comum, fazendo as mais diversas comparações e indo buscar os assuntos mais incríveis! A crónica do último Benfica-Sporting está neste link.

Saliento os seguintes excertos:
"BRYAN RUIZ
Veio fazer o seu papel do costume, movimentando-se sempre com lenta deliberação, como se em vez de fintar jogadores adversários, procurasse antes convencê-los a desviarem-se de sua livre vontade, através de argumentos, e citando alguns excertos avulsos do Código Civil. Desequilibrou apenas uma vez, quando isolou Jiménez com um milimétrico passe de cabeça. O ser humano partilha 35% do seu ADN com as algas, um facto que parece muito menos espantoso depois da exibição de Bryan Ruiz hoje."

"WILLIAM CARVALHO
O filósofo inglês Timothy Morton cunhou o termo hiperobjecto para designar objectos com propriedades distribuídas de forma tão maciça que transcendem a sua especificidade espácio-temporal, como é o caso do aquecimento global, do plutónio radioactivo, da esferovite, e de William Carvalho. A sua totalidade nunca pode ser assimilada em qualquer manifestação local, mas apenas numa rede de condições, como a meteorologia. Foi, enfim, o melhor em campo. (Este parágrafo até nem estava a correr mal, se repararem, mas entretanto a esferográfica ressaltou num amontoado de papéis amarrotados e o raciocínio perdeu-se)."

Aproveito esta oportunidade para fazer a minha crónica/análise deste jogo! O jogo lembra-me aqueles jogos em que uma equipa grande joga contra uma equipa pequena. A equipa grande domina completamente o jogo mas não é suficientemente eficaz. A equipa pequena joga em contra-ataque, fazem o jogo da vida deles e conseguem, desta forma, empatar o jogo. Adicionalmente, o árbitro tem intervenções infelizes em 2 lances que acabam por dar a vitória à equipa pequena. Paciência… ainda vão haver muitos jogos até ao final do campeonato!